O ano de 1896 marca o início da investigação sobre a dislexia do desenvolvimento, quando W. P. Morgan, um oftalmologista inglês, publicou no British Medical Journal a descrição do primeiro caso de incapacidade de leitura num rapaz de 14 anos com um desenvolvimento intelectual normal. Percy – pois era esse o nome do rapaz – era brilhante, inteligente, ágil e em nada inferior aos seus colegas.
“Tinha grande dificuldade […] em dominar a arte da leitura […]. As palavras escritas ou impressas pareciam não atingir a consciência do rapaz e só quando lidas em voz alta é que adquiriam significado para ele. É possível que esta perturbação seja congénita”.
Morgan referiu-se às dificuldades observadas no rapaz de 14 anos como “cegueira congénita das palavras” (ibid). Desde a primeira publicação sobre a dislexia, em 1896, até à monografia de 1917, Congenital Word-Blindness, de J. Hinshelwood, decorreu o primeiro período da história da investigação sobre a dislexia. Foi uma época de identificação e registo dos sintomas da dislexia sob a forma de publicações que incluíam relatos de casos, o que contribuiu grandemente para a identificação de dificuldades específicas de leitura e escrita em crianças como uma unidade nozológica. No segundo período, que durou da Primeira à Segunda Guerra Mundial, a investigação deslocou-se da Europa para os Estados Unidos. A atenção centrou-se então nas causas profundas da dislexia, a chamada etiologia. Em 1925, o médico americano S. T. Orton chamou a atenção dos neuropatologistas e psiquiatras para o facto de que mesmo as crianças sem sinais detectáveis de lesões ou defeitos cerebrais têm sérios problemas para aprender a ler e a escrever. S. T. Orton é reconhecido como um pioneiro da investigação sobre a dislexia. Foi também o inspirador e co-desenvolvedor dos primeiros programas de terapia pedagógica em casos de dificuldades específicas de aprendizagem da leitura e da escrita. Um terceiro período de investigação sobre a dislexia data da Segunda Guerra Mundial. É dominado pela investigação sobre as causas directas (os chamados patomecanismos) da dislexia. Os sistemas de apoio terapêutico e de cuidados são desenvolvidos de forma intensiva. A cooperação interdisciplinar entre representantes de diferentes disciplinas científicas resultou numa posição comum, assumindo uma polietiologia e múltiplos patomecanismos da dislexia. A unanimidade também foi alcançada em termos de terminologia. O termo mais comum para as dificuldades específicas de aprendizagem da leitura e da escrita é dislexia de desenvolvimento. Apenas nos países de língua alemã é utilizado o termo legastenia.
Fontes:
- http://www.czasopismoippis.up.krakow.pl/wp-content/uploads/2015/01/Anna-SZKOLAK-ST%C4%98PIE%C5%83.pdf * Artykuł napisany na podstawie monografii Anny Szkolak-Stępień pt. Nauczyciele wczesnej edukacji wobec problemu diagnozowania specyficznych trudności w uczeniu się (2017)

